Virginia Woolf (1882-1941). Inglesa. Escritora, feminista, ensaísta. Era maníaco-depressiva e, após alguns surtos de loucura e algumas tentativas de suícidio, infelizmente acabou tendo êxito ao mergulhar no Rio Ouse com os bolsos das roupas cheios de pedras.
Era intelectualmente brilhante, o que é demonstrado em seus ensaios, onde apresenta teorias sobre feminismo & literatura que aguçam a inteligência do leitor - Um teto todo seu, Três guinéus - e uma romancista/contista de primeira água: trabalhou seu estilo até alcançar um tom todo pessoal, observável em obras como: A Viagem; Noite e Dia; Mrs. Dalloway; Passeio ao Farol; Orlando; As Ondas, e nos volumes de contos Uma Casa Assombrada e Objetos Sólidos. Existe também uma Virginia memorialista, cujo senso de humor fino, britânico eu diria, pode ser conferido com a leitura de Momentos de Vida e dos Diários (estes, leitura indispensável!). Para quem se apaixonar, e quiser aprofundar os laços com essa mulher extraordinária e atormentada, pode aventurar-se nos "exercícios" de Virginia, seus textos mais antigos, e experimentações, em A Casa de Carlyle e Outros Esboços e também no já citado Objetos Sólidos, que inclui muitos dos seus primeiros contos.
Não há como louvar Virginia Woolf o bastante; porém tudo o que eu poderia dizer seria lugar comum - e Virginia jamais poderá ser comum...
Jane Austen (1775-1817). Inglesa. Romancista. Até onde sei, anglicana, Jane "escreveu pouco, mas com esmero" (H.G. Wells). Escreveu literatura com elementos parcos, fez Orgulho e Preconceito, Emma, Persuasão (que considero os seus melhores romances) de poucos recursos. Esta foi a sua Arte e a medida talvez do seu talento: escrever obras de primeira ordem com um mínimo de ambientes, episódios, figuras; trabalhar com elegância, com refinamento, meia dúzia de coisas, o meio limitado no qual viveu. Não é preciso ser rica, viajar para lugares distantes, ser casada ou ser nobre para produzir ficção de qualidade; Jane Austen provou isso.
Sua arte, porém, é modernamente descartada por pretensos intelectuais, demasiado obtusos para ler nas entrelinhas ou captar as ironias sutis de seus romances. Basta ler a maioria dos críticos(?) de cinema quando resenham um filme baseado na obra dela - cegos, estúpidos, chamando-a de "água-com-açúcar". O caso é que a inteligência de Jane é excessiva para eles...
Que um novo (a) leitor(a) leia. E julgue, observando a tapeçaria perfeita, elaborada, de Jane Austen. E descubra porque um estudioso e crítico do porte de Otto Maria Carpeaux chamou-a de "gênio".
Germaine Greer (1939). Australiana. Professora de Literatura Inglesa (escreveu um livro sobre Shakespeare), feminista, ensaísta, é sempre leitura compensadora, embora eu não endosse todas as suas posições. Meus motivos para admirá-la: a realização e a publicação de A Mulher Eunuco, na década de 1970; a maturidade e a humildade demonstradas quando reviu parte de suas opiniões já na obra Sexo e Destino; seu amor recheado de erudição ao discorrer sobre Shakespeare no ensaio de mesmo título (uma excelente introdução ao dramaturgo inglês!); seu respeito pelos problemas de consciência enfrentados pelos cristãos, respeito ainda mais louvável se nos lembrarmos que ela não é cristã (Greer só desmerece algumas idéias/costumes que lhe parecem prejudiciais às mulheres).
Em minha opinião, seu melhor livro é Mulher: Maturidade e Mudança, gigantesco e abrangente estudo sobre a menopausa e seu impacto na vida das mulheres.
Isabelle Adjani (1955). Atriz francesa. A minha "melhor das melhores". Em geral, ela personifica heroínas temperamentais (Verão Assassino ), frágeis-fortes (A Rainha Margot; Camille Claudel), desesperadamente apaixonadas (A História de Adèle H., seu único filme dirigida pelo mestre François Truffaut, em 1975), ou abnegadas (Nosferatu, O Vampiro da Noite, direção de Werner Herzog, com imagens que parecem pintura abstrata, obras de arte...); porém fez com igual brilhantismo uma esposa submissa-reprimida na refilmagem politicamente correta de Diabolique, onde divide o estrelato com Sharon Stone, contracenando ainda com Kathy Bates (o melhor dessa versão "politicamente correta" é utilizar esta tríade de estrelas, todas ótimas, e relacioná-las de uma forma "correta" ,porém muito mais legal para mim). Com exceção do último filme citado, todas as incursões de Isabelle no cinema americano são um desperdício dela como atriz; há, também, o prazer de vê-la com toques bem humorados (se se puder suportar o desfecho ridículo) em Subway, de Luc Besson, ao lado de Christophe Lambert.
Doris Lessing (1919). Escritora inglesa. Um sexista ácido e exigente como Paulo Francis considerava-a a maior escritora viva em língua inglesa do século XX. O que surpreende em Doris é a sua incessante variedade: consagrada como "escritora feminista" nunca cedeu à armadilha de só escrever o que "boas feministas" escrevem; é verdade que sua personalidade crítica, sua visão implacável (por vezes até cruel) do mundo aflora, sim, em boa parte do que escreveu; mas ela jamais conformou-se à fórmulas e assim, tendo escrito "romances feministas" (vão as aspas porque o conceito é discutível) como O Carnê Dourado (1962), enveredou com naturalidade pelo gênero (malquisto pela crítica dita 'séria') da ficção científica na pentalogia Canopus em Argos: Arquivos, onde pelo menos um volume, o segundo - Os Casamentos Entre as Zonas 3, 4 e 5 - é imaginativo, de um feminismo sem maniqueísmos e até divertido em certas passagens. Como se não fosse o bastante, escreveu romances políticos - outra pentalogia, Filhos da Violência - onde, a meu ver, o senão está no assunto (absolutamente chato para mim) porém revelando a mesma lucidez da autora quando, nessa autobiografia disfarçada, expõe sua desilusão com o partido comunista. Experimentou também escrever com um pseudônimo, já idosa e respeitada, quando procurou editores para um novo livro como se se tratasse de uma estreante: nessa artimanha de Doris, sob o nome "Jane Somers", publicou Diário de uma Boa Vizinha (que ainda não li) e Se os Velhos Pudessem (que não merece um 10, mas 11). Mais recentemente, saíram, dela também Amor, de Novo, romance inusitado e corajoso onde a protagonista é uma mulher de 65 anos que redescobre o amor, e dois volumes da sua autobiografia: Debaixo da Minha Pele e Andando na Sombra, recheado de observações valiosas de DL sobre literatura, sobre feminismo, sobre casamento, a infância e a adolescência num país racista como Zimbabue (naquela época, Rodésia do Sul) e, por último mas não menos importante, sobre o ato de escrever e a carreira de escritora.
Doris Lessing também é autora de um romance provocativo sobre o conceito de doença mental - Roteiro Para um Passeio ao Inferno - e de outro, capaz de incomodar mulheres casadas há muito tempo e possivelmente "conformadas" ao seu "papel social" - O Verão Antes da Queda.