Literatura Fantástica
Diz-se de obra literária... que transcende o real, baseando-se no sonho, no sobrenatural, na magia, no terror ou na ficção científica" (Larousse Cultural, vol. 10, pág. 2351).
Se lermos atentamente esta definição, descobriremos que o conceito de "literatura fantástica" é mais amplo do que poderíamos pensar a princípio. Narrativas que incluem sonhos, por exemplo, cobrem desde contos de Júlio Cortázar ( A Noite de Barriga para Cima ) ou Kipling ( O Menino dos Gravetos) até fantasias oníricas como uma das novelas de C. S. Lewis, O Grande Abismo. O sobrenatural está em Lygia Fagundes Telles ( O Encontro; A Presença), Algernon Blackwood (O Quarto Ocupado; As Asas de Horus) ou em Henry James ( no discretamente melancólico-romântico Os Amigos dos Amigos).
Aquilo a que nos acostumamos a classificar como "terror" - um sentimento de medo ou apreensão intensificados diante do desconhecido, do insólito ou do potencialmente hostil - pode estar presente sem qualquer elemento do sobrenatural. Muitos dos contos de Edgar Allan Poe são desse tipo: aterrorizantes, mas desprovidos de alusões ao que é inumano. Assim A Queda da Casa de Usher; A Pipa de Vinho Amontillado; O Coração Acusador. Na mesma categoria, outra vez a brasileira Lygia Fagundes Telles com o já clássico Venha Ver o Pôr-do-Sol.
Contudo, a combinação entre sobrenatural e terror é fácil de encontrar. O Horla, de Guy de Maupassant; A Boneca, de Blackwood; Meia-Noite; Intrusos; e Fantasmas de Dean R. Koontz; Saco de ossos; O Iluminado, de Stephen King; As Formigas de L. F. Telles; A Marca da Besta (um conto sobre lobisomem) de Kipling; Um Velho Diabo e Drácula de Bram Stoker... e para fechar a fila, duas novelas que merecem qualquer elogio, nenhum sendo exagerado a meu ver: o apavorante A Outra Volta do Parafuso de Henry James e O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson - possivelmente, fora da língua inglesa não existam duas obras tão merecidamente louvadas no gênero - perfeitas.
Identificar a presença da magia numa obra e então percebê-la como literatura fantástica é uma coisa; o enganoso é rotular essa subcategora do fantástico como de exclusivo interesse do público infantil. Quem ainda não mergulhou nAs Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, na série Harry Potter de J. K. Rowling, ou mesmo numa releitura dos irmãos Grimm com a desculpa de que tais obras são "coisa de criança" está se privando de um dos grandes prazeres na leitura do gênero fantástico. Se se faz questão, o elemento da magia também marca presença na literatura "adulta": todo o ciclo arturiano - as lendas, poemas, contos e romances sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda - são plenos de magia. O "leitor adulto" que exige sê-lo pode experimentar Amadis de Gaula (na versão de Affonso Lopes Vieira, mais degustável para o paladar moderno) ou algo shakespeareano: a deliciosa peça Sonho de Uma Noite de Verão.
A última subcategoria do fantástico, a da ficção científica, é , confesso, a de que menos gosto. Ainda assim, há algumas obras, em minha opinião, que valem bem a leitura. Da inglesa Doris Lessing há o segundo volume de uma série que ela escreveu nesse gênero: Os Casamentos Entre as Zonas 3, 4 e 5; um romance isolado, Memórias de um Sobrevivente (a versão de Lessing de um mundo pós-apocalipse) e um conto muito inteligente, recheado de observações curiosas - Informe Sobre a Cidade Ameaçada. Também gostoso de ler é Mundo Perdido, de Valerie Nieman Colander, outro mundo pós-apocalipse; e, pra não dizer que não cito autores homens nesse subgênero, vou de Dean Koontz com O Guardião e Sr. Assassino - sendo o primeiro, para mim, uma pequena obra-prima.
Se lermos atentamente esta definição, descobriremos que o conceito de "literatura fantástica" é mais amplo do que poderíamos pensar a princípio. Narrativas que incluem sonhos, por exemplo, cobrem desde contos de Júlio Cortázar ( A Noite de Barriga para Cima ) ou Kipling ( O Menino dos Gravetos) até fantasias oníricas como uma das novelas de C. S. Lewis, O Grande Abismo. O sobrenatural está em Lygia Fagundes Telles ( O Encontro; A Presença), Algernon Blackwood (O Quarto Ocupado; As Asas de Horus) ou em Henry James ( no discretamente melancólico-romântico Os Amigos dos Amigos).
Aquilo a que nos acostumamos a classificar como "terror" - um sentimento de medo ou apreensão intensificados diante do desconhecido, do insólito ou do potencialmente hostil - pode estar presente sem qualquer elemento do sobrenatural. Muitos dos contos de Edgar Allan Poe são desse tipo: aterrorizantes, mas desprovidos de alusões ao que é inumano. Assim A Queda da Casa de Usher; A Pipa de Vinho Amontillado; O Coração Acusador. Na mesma categoria, outra vez a brasileira Lygia Fagundes Telles com o já clássico Venha Ver o Pôr-do-Sol.
Contudo, a combinação entre sobrenatural e terror é fácil de encontrar. O Horla, de Guy de Maupassant; A Boneca, de Blackwood; Meia-Noite; Intrusos; e Fantasmas de Dean R. Koontz; Saco de ossos; O Iluminado, de Stephen King; As Formigas de L. F. Telles; A Marca da Besta (um conto sobre lobisomem) de Kipling; Um Velho Diabo e Drácula de Bram Stoker... e para fechar a fila, duas novelas que merecem qualquer elogio, nenhum sendo exagerado a meu ver: o apavorante A Outra Volta do Parafuso de Henry James e O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson - possivelmente, fora da língua inglesa não existam duas obras tão merecidamente louvadas no gênero - perfeitas.
Identificar a presença da magia numa obra e então percebê-la como literatura fantástica é uma coisa; o enganoso é rotular essa subcategora do fantástico como de exclusivo interesse do público infantil. Quem ainda não mergulhou nAs Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, na série Harry Potter de J. K. Rowling, ou mesmo numa releitura dos irmãos Grimm com a desculpa de que tais obras são "coisa de criança" está se privando de um dos grandes prazeres na leitura do gênero fantástico. Se se faz questão, o elemento da magia também marca presença na literatura "adulta": todo o ciclo arturiano - as lendas, poemas, contos e romances sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda - são plenos de magia. O "leitor adulto" que exige sê-lo pode experimentar Amadis de Gaula (na versão de Affonso Lopes Vieira, mais degustável para o paladar moderno) ou algo shakespeareano: a deliciosa peça Sonho de Uma Noite de Verão.
A última subcategoria do fantástico, a da ficção científica, é , confesso, a de que menos gosto. Ainda assim, há algumas obras, em minha opinião, que valem bem a leitura. Da inglesa Doris Lessing há o segundo volume de uma série que ela escreveu nesse gênero: Os Casamentos Entre as Zonas 3, 4 e 5; um romance isolado, Memórias de um Sobrevivente (a versão de Lessing de um mundo pós-apocalipse) e um conto muito inteligente, recheado de observações curiosas - Informe Sobre a Cidade Ameaçada. Também gostoso de ler é Mundo Perdido, de Valerie Nieman Colander, outro mundo pós-apocalipse; e, pra não dizer que não cito autores homens nesse subgênero, vou de Dean Koontz com O Guardião e Sr. Assassino - sendo o primeiro, para mim, uma pequena obra-prima.

2 Comments:
Claire, confesso que li meio rápido este post. Estou querendo sair da frente do pc e ler um pouco. hehe
Mas gostei principalmente da parte da mágia ser coisa de criança. Eu leio muito este tipo...Bem, na verdade não me incomodo de chamarem de criança não...Mas concordo com vc. Por exemplo, O Senhor dos Aneis foi escrito como literatura infantil. Imagina se privar disso!
Bjs querida!
Ps: Qta letra p verificação, hein???
Thams: este texto é antigo, eu deveria (poderia) ter acrescentado mais a ele, agora. Mas minha postura quanto a magia é a mesma. Com carinho, Claire.
Post a Comment
<< Home